Da memória ao contemporâneo

Quando recorremos à memória para lembrar feitos anteriores é porque supomos ter o distanciamento necessário para que uma releitura seja feita sobre os propósitos e resultados de alguma ação que tenha importância para alguém ou para um grupo de pessoas. Assim, pois, é o que nos sucede hoje, quando decidimos focar na importância da realização de festivais de fotografia em Juiz de Fora, façanha que se iniciou em 2011 e segue até o presente momento, com a realização do 3º Festival de Fotografia de Juiz de Fora.

O período de 2011 a 2017 caracteriza-se pelo financiamento público, que permitiu a produção de um festival por ano, cujas denominações seguiam os anos em que eram realizados: Foto11 (2011), Foto12 (2012) e, assim, sucessivamente. O dia de abertura correspondia ao mesmo número de cada ano e o número de exposições também! Somente uma mente criativa poderia criar essas peculiaridades, no caso, o idealizador do primeiro evento, como o então Superintendente da Funalfa, Toninho Dutra. Nesse período, a Coordenação geral e a Produção executiva dos festivais ficavam a cargo da Funalfa. Vários fotógrafos, de Juiz de Fora e de outras cidades, foram convidados ao longo desses anos para curarem exposições, participarem de comissão de seleção, produzirem interferências urbanas, ministrarem oficinas etc. Os “Fotos”, devem muito a esses especiais colaboradores que emprestaram seus nomes, suas expertises e talentos. Tentar nomeá-los todos aqui poderá ser uma atitude injusta caso um único nome não seja mencionado. Da mesma forma que tivemos parcerias fundamentais na realização de atividades fora dos equipamentos culturais da Funalfa, espaços privados e públicos, que contribuíram para ampliar as ações dos eventos dentro da cidade. Os editais foram necessários e justos para democratizar a participação de todos os interessados, na cidade e no país, e criaram espaço para que a diversidade de temas e propostas caíssem no conhecimento de um grande público.

Na concepção dos programas anuais algumas determinações importantes: valorizar e estimular a produção fotográfica local através de exposição em homenagem a um fotógrafo; um edital destinado a fotógrafos da cidade; convite a fotógrafos de outros estados para exposições, palestras e oficinas para trazer para a cidade novos conteúdos e intercâmbios de ideias. E vieram imagens de muitos cantos do país e muitos convidados apresentaram suas escolhas estéticas e técnicas em seus temas. Fotógrafas e fotógrafos nascidos em Juiz de Fora, mas com atividade profissional em outras cidades, também foram convidados a exporem suas obras. Nesses anos de efervescência dos festivais na cidade os fotógrafos passaram a participar cada vez mais, divulgavam seus trabalhos e interagiam com profissionais de fora. A criação do Coletivo JF Fotográfico surge como produto estimulado a partir dos eventos anuais, consolidou as atividades culturais fotográficas e passou a desempenhar um papel fundamental na continuidade dos eventos.

 

Já com a crise econômica grassando no país, o JF Foto 17 foi produzido com recursos públicos mínimos e, em 2018, foi necessário que o Coletivo JF Fotográfico assumisse a responsabilidade de realizar o evento, que passa a ser denominado de 1º Festival de Fotografia de Juiz de Fora. Alguns fotógrafos passam a exercer também as funções de produtores do evento e buscam recursos entre os participantes do coletivo e outros colegas. A Funalfa oferece espaços para as exposições e outras atividades, criação de peças gráficas e o pagamento de alguns pró-labores. A UFJF também apoia com espaços e aportes pontuais. E a mobilização dos fotógrafos e fotógrafas desde o primeiro festival – sem recursos públicos – representa o comprometimento que passam a ter com a fotografia na cidade quanto à produção, distribuição e formação na área.

Este texto não pretende abranger todas as especificidades dos festivais, somente levantar e reunir algumas questões que embasem a continuidade das atividades do Coletivo JF Fotográfico, que legitimamente tem sustentado as propostas de valorizar e difundir a arte fotográfica em nossa cidade.    

Este ano terá festival! Será online e todos poderão participar.

 

Eridan Leão e Sérgio Neumann

Produtores e Curadores associados

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